24/05/12

O tempo que se perde

O que se passa é o temporal momento da existência
que se permuta por uma tranquila passagem sob a ponte.



21/03/12

Phonema, fenómeno, poema.

Edificando phonemas em catedrais de poemas,
hoje, constructo livre em rigor de formas e junções
afago as tábuas desafiando a sorte.

Projecto gramatical nunca antes calculado
com origem e fim num fio de prumo,
sondagem de fundos infindos
abarcando mundos fecundos
entre as fendas e os rebites...

Eis portanto o tema:
num fenomenal choque de phonemas
uma tentativa de poema.


27/02/12

Etnomúsica- Bairrada under and uperGround

New York, New York...




E naturalmente, o mastro de uma barca.... South Street Maritime Museum.

19/12/11

Rumo: 2012



Campeonato nacional da classe vouga - 2011.
Foto: Arq. Sérgio G.

13/11/11

Mobilidade

house in the setting sun

03/11/11

Memórias do Maine


... O que parecia um Sábado monótono acabou por se tornar num dia interessante. Logo pelas 7.30 já estava a caminho do pequeno almoço, começando a manhã com uma conversa com o meu vizinho de campo e de classe, o Buddy, da Virgínia, que, com um sotaque inimitável fazia conjecturas em visitar uma loja de ferramentas em segunda mão, muito comentada nas classes e famosa pelas suas ferramentas originais e raras. Takahiro, o japonés, também estaria disposto a visitar a loja e assim fazer companhia a Buddy... Eu após o pequeno almoço procurei o escritório da escola para ter acesso à inter-net, falar para casa, actualizar bolgs, ver o mundo exterior. Mas, nesta manhã o escritório, excecionalmente, estava fechado.... coisa rara, mas afinal, era sábado.
Devo referir que por aqui não existem portas fechadas... com chave. Nem mesmo os quartos...
Andei por ali de bicicleta entre a casa dos barcos e as oficinas, ainda estava a decorrer a classe da Silvia, a italiana, do Steve, do Minesota e do Michael, da Nova Escócia... Pessoas com quem velejei no "Shenenaganz", o grande Catboat da escola e com quem possivelmente nunca mais me encontrarei, nem consegui despedir-me deles... coisas da natureza das viagens.
Após o almoço, um muffin com queijo e ham ( do melhor) manteiga, alface, parti novamente para a frente maritima, a ver se conseguia velejar no "Ospray" um clássico que tinha sido lançado á água pela manhã ali perto, em Brooklin Harbour, local de uma simplicidade e beleza tão comuns nestas paragens.
Como não se vislumbravam as velas do "Ospray" no horizonte, Mike, da casa dos barcos, sugeriu que eu fosse velejar com Niko, que se encontrava no "Herreshof 12" e que andava lá longe,solitário, na sua viagem solitária...
Largámos na lancha em boa velocidade, em busca de Niko que se encontrava perto de uma pequena ilha no limite da área visível, da qual se aproximava, velejando e preocupando Mike. As margens destas ilhas são em rocha bem esculpida pelos glaciares, de diversas formas redondadas,  intercaladas por pequenas enseadas de areia de elevada granulometria... As águas, escuras e limpas, profundas, permitem a aproximação até ás rochas, sem grande problema, mas as regras de utilização dos barcos não permitem o desembarque, pelo que ficamos com aquela sensação da maçã proibida...
Ao aproximarmo-nos do "Herresho 12", depressa nos apercebemos de que Niko não queria companhia. Não se mostrou nada satisfeito com a nossa presença e muito menos com a ideia de um novo tripulante a bordo. Mas uma insisténcia e mais uma palavra de Mike, eis que me instalei a bordo do pequeno veleiro  velejando com Niko V. , um servo-croata, puro Jugoslavo educado nas universidades de Tito, a quem nutria um ódio de estimação muito sincero. Um personagem de carácter bem marcado e firme, culto e introvertido, de acentuado espírito crítico. Abandonou a sua terra escapando ao regime fechado de Tito, foi para Itália e daí para a América. Contou-me que quando os ingleses afundaram o "Bismark", tinha ele poucos anos de idade, o seu avõ, discretamente, deu uma pequena festa em casa. Segundo ódio de estimação: os alemães e por arrastamento, o Império Austro-Húngaro. Muito curioso este Niko que desde o episódio do Bismark iniciou um processo de crescente estima pelos ingleses.
Depois de umas horas de vela entre as ilhas de Bluebay, onde nos revesávamos no leme e nas mareações, a bordo de um extraordinário pequeno veleiro, estávamos obviamente bem dispostos. Ao chegar ao pontão de desembarque, lá estava o "Abigail", um Yawl de uns 15 metros, que se encontra disponível para venda e para restauro... Um barco de sonho para Niko, e acessível pelo que vi, mas o facto de necessitar de restauro não o entusiasmava. Entusiasmáva-o sim a ideia de irmos jantar a qualquer lado. Eu claro que sim, desde que "me sobre dinheiro para regressar a Portugal", ironizei.
Quando chegámos a "Moutain hash" o refeitório/dormitório com uma sala de estar repleta de livros e revistas, sofás e candeeiros e muitas gravuras e fotos nas paredes, lá estava Bob, o médico reformado que completa 17 anos de frequencia nesta escola de cultura naval. " It seems that I`m a slow learner" ironiza o bob. exceklente pessoa, antítese de Niko, amigos de outras estadias na Wooden boat School. Queres vir jantar? perguntou Niko. Claro que sim. E lá combinámos o jantar, que entretanto já estava marcado, num ápice Niko discretamente telefona e pronto... Pelas nove da noite lá estávamos no "Brooklin Hinn", ambiente muito doméstico, casa transformada em restaurante, cortinas e tecidos... Comi salada e um peixe tipo alabote, um vinho tinto Italiano, muito bom. Durante o jantar passámos pelos dramas e sofrimento da Jugoslávia e do seu desmembramento, pelas idiossincrazias do fascismo portugués, da guerra colonial, da integração europeia, da Alemanha e pronto,lá estávamos nós a falar novamente da Alemanha... e zás, chagamos á América! Niko simpatizante dos republicanos, crítico feroz de Obama e do seu programa de saúde, e Bob, democrata e tolerante, criatura dócil e atenta á natureza humana e ás suas fragilidades, simpatizante, tal como eu, de Billy Carter e dos programas de saúde de Obama. E o mundo da comunicação social, os Média e o seu poder, a veracidade da democracia americana...
 Mas as divergéncias, bastantes e clivantes, náo nos impediam de confraternizar e de ir cimentando uma amizade que espero perdure para além das distàncias.
Saímos do restaurante tarde, deram-me boleia até á tenda, noite escura e fria. Adormecia a ler o livro "Rio das Flores" de M.S.T. e a sonhar velejar nas águas do Maine com o meu "Vouga" fazendo projectos nas encostas suaves das ilhas desertas e verdejantes que brotam em redor. Tufos de verde flutuando á deriva na planície de água calma e profunda.





11/10/11

Demonstração das nuvens

Explosões lentas de vapor de água
cavalgam os céus azuis
transportando a chuva
na planície curva
da terra.

15/07/11

A cidade de José Maria

Conheci José Maria da Graça, o "Zé Maria Bacalhau"  numa manhã de Verão, quando a minha mãe me levou á biblioteca de Ovar para escolher livros para ler nas férias.

A biblioteca funcionava no Rés-do-chão do edifício da Câmara Municipal e tinha estantes de vidro de alto a baixo, de um lado e de outro das paredes, e uma secretária ao fundo onde estava sentado um senhor de óculos muito espessos, o que lhe conferia uma presença distinta e inconfundível. Quando se levantou para nos receber percebi que não era apenas o olhar que nos marcava, era também o modo de caminhar... Após saudações entre velhos conhecidos, e a apresentação do rapaz de nove ou dez  anos iniciámos um lento deambular pelos livros, ao longo das enormes estantes da biblioteca municipal, escolhendo as minhas primeiras leituras de férias. E foi assim que conheci este personagem, responsável pelos primeiros livros que li, fora dos manuais escolares. Não me lembro de todos, mas um deles descrevia "As aventuras de David Crocket" , “Daniel Boone”, “Tom Sawier e outros heróis aventureiros.

Li aqueles livros todos (e eram muitos!) durante as férias, e não tenho a menor dúvida que aquele gesto da minha mãe, e as escolhas de José Maria da Graça contribuiram e muito e para o meu gosto pela leitura e mais do que isso, para a descoberta dos livros das bibliotecas, mas sobretudo das aventuras que ainda hoje me fascinam, mesmo aquelas dentro do nosso microcosmos íntimo e pessoal. De modo elegante, o bem vence o mal, e as dificuldades serão sempre ultrapassadas!

Ainda não sabia das potencialidades deste homem, e muito menos do seu percurso pelos meandros do poder local, na Junta de Turismo, na consolidação e organização do Carnaval de Ovar, onde foi o principal impulsionador, na projecção das procissões Quaresmais, na implementação de provas oficiais desportivas, de corridas de minis, de minipuzles e concursos de construções na areia, e sei que muito do trabalho de bastidores na animação e qualificação das praias era realizado pela Junta de Turismo do Furadouro, onde pontuava a acção deste  homem, sério, dedicado e amante irredutível da sua terra, mas sobretudo com uma visão de desenvolvimento assente num permanente diálogo entre tradição e modernidade.

Hoje, ninguém se atreve a desprezar esta evidência, mas nos fulgores de uma revolução ineficaz na implementação de mecanismos de reforma, e mesmo durante a consolidação da democracia pelos anos 80, assumir uma postura assente no caracter identitário eminentemente cristão e de valores tradicionais, e  na modernidade resultante das viagens de comércio, da imigração e do desenvolvimento industrial, não era fácil e prestava-se a imensas mal-interpretações e a estigmas injustos e demagógicos.

E o Sr. José Maria sofreu muitas destas injustiças, vivendo desde então sob um determinado saneamento cultural, nunca deixou de lutar activamente pelos interesses de Ovar, que são os interesses das pessoas que aqui vivem.

 Como homem culto que era, sempre defendeu a especificidade pós moderna da realidade Ovarense, postura que agora sim, se reconhece na sua visão holística e abrangente a todas as sensibilidades. (Veja-se o tempo dedicado ao património religioso na última edição de "Verão Total" na RTP...).  "Mais vale tarde do que nunca" diria J.M.G.

Era um homem culto, e acertivo como poucos. Talvez demasiado modesto. Um dia, a propósito de uma colaboração para o "Terras do Var", disse-me Pompílio Souto, "se queres saber da História de Ovar, fala com o Dr. Alberto Lamy, se queres saber Histórias de Ovar, fala com o sr. José Maria "Bacalhau". E o sr. José Maria sabia muitas, pois lá fui eu de gravador em riste, e papel pouco, entrevistá-lo para o tal artigo sugerido pelo director do Jornal, Carlos Mendonça. Logo á entrada da sua casa, onde pontuava uma escadaria e uma salinha ao lado, impôs uma condição: "nada de gravadores". Fiquei sem saber o que fazer, mas perante a minha perplexidade, disse. "Mas podemos conversar..."  E portanto esta " não entrevista" aconteceu, em modo de conversa, (ele até me emprestou-me a esferográfica), mas da conversa não ficou qualquer registo, e que interessante seria...

 E quando fui confrontado com o Carlos sobre o artigo de jornal, respondi-lhe que não tinha havido entrevista... tal era a vastidão da mesma.

Desde então, sempre que os meandros da cidade nos faziam encontrar, onde recordo os seus lentos passeios na marginal do Furadouro,  tinhamos sempre tempo para uma troca de opiniões, com Ovar como pano de fundo, e as decisões políticas a temperarem as suas indignações. Ele via o que todos viamos, a permanente e constante perda de protagonismo de Ovar na  Região, os investimentos de carácter eminentemente político nas freguesias do Norte Concelho, ( Esmoriztur, por exemplo) e as consequências de uma ausência de visão integrada de desenvolvimento turístico...

Agora que ele já cá não está, resta este amargo de alma ao sabermos que ainda temos de aprender muito para saber lidar com aqueles que, como JMG, têm um amor demasiado grande pela sua terra.

30/06/11

Mater Ria

A Pedra, a Cultura as diferentes leituras da Paisagem, a capacidade criativa e inovadora, é o que se está a passar em Vila Viçosa com a regeneração de uma pedreira abandonada, agora "sala" de ópera e espaço musical, onde surgirá um museu.
Da ferida profunda, do buraco, da extração de mármore poeirenta e barulhenta, perigosa e brutal, renasce uma outra função que elevará o espírito e coloca a Vila e o país na senda da inovação e criatividade no que diz respeito ao território, á Paisagem e ao desenvolvimento cultural e social. A descentralização e o regresso aos campos e á agricultura. Tudo está relacionado.
Visitei pela primeira vez uma pedreira com o Ricardo Costa, amigo de longa data e companheiro de "Aventura", Pelas serras de Porto de Mós e experimentei uma sensação de grandeza, de escala e de força que raramente experimentamos. As grandes feridas na serra, e os enormíssimos blocos de pedra branca impressionaram-me de tal modo que nunca mais fiquei indiferente a todo este processo "industrial" relacionado com a indústria extrativa, as pedreiras, as galerias das minas. Imaginava pois toda uma série de regenerações para estes espaços, inclusive novas urbanidades concentradas, em oposição ao dispersar urbano por territórios dispersos e "virgens". Jardins, lagos, habitações e outras tipologias também já experimentadas em outros locais, mais avançados no tempo. Estávamos em 1994 ou 95 e Portugal estava pejado de gruas por todo o lado.
Hoje, já sem gruas e sem crédito para novas aventuras, vejo formalizar-se um desses projectos, uma nova urbanidade actrativa e regeneradora, que lançará , sem dúvida, o nome Vila Viçosa para além dos palácios da História, complementando-os e rejuvenescendo essa mesma história.
Em Ovar este discurso de inovação e regeneração custou a entrar e ainda não está assente e assumido como força motriz da urbanidade. Se pontualmente o centro da cidade, sede do Concelho se está a transformar na suas plataformas de mobilidade e de bem estar urbano, já ao nivel do território as coisas ainda não se percebem muito bem, ou não se percebem de todo. Uma excepção: o projecto CicloRia, com mais ou menos coerência de percursos, mais ou menos pedalada na senda da criatividade e inovação, vai surgindo e assumindo um factor estruturante.
A minha luta desde há mais uma década tem sido a ria a Mater Ria , a água, fonte de vida e de mobilidade e riqueza que fez de Ovar uma terra de permeabilidades de caminhos de água, exemplo claro de um território Aquamórfico , em permanente crescimento, desde a idade Média.
Portanto, tenho feito ouvir a minha voz e a de quem partilha a mesma visão de desenvolvimento identitário, procurando sensibilizar os autarcas, os líderes regionais e as instâncias reguladoras e promotoras de desenvolvimento territorial. Em sede do Plano Intermunicipal para a Ria de Aveiro, solicitei a implementação de campos de regatas, em articulação com o plano de navegabilidade da ria, que nem sequer era mencionado no referido plano(!). E em sede do Programa Polis para a Ria de Aveiro tenho apresentado propostas e sempre que surge a oportunidade, e têm sido várias as ocasiões, refiro a necessidade de se implementar o Plano de Navegabilidade da Ria, como factor de desenvolvimento e de mobilidade social. ( Finalmente os Estudos estão a ser elaborados).
Mais recentemente, articulando a rede de percursos cicláveis, e o património naútico local e regional relacionado com a náutica de recreio, e enquanto director da Associação CENARIO, propusemos à sociedade Polis e à Câmara de Ovar a implementação de um espaço destinado a uma estação fluvial relacionada com uma estrutura museológica, no cais da Pedra, no Carregal, em Ovar.
Mas, apesar de se entender facilmente que a posição estratégica de Ovar no topo norte da Ria de Aveiro é de grande potencial, apesar dos estudos de identificação museológica estarem elaborados, apesar da rede de pistas cicláveis estarem defenidas e se articularem com este e outros cais ao longo da ria, esta proposta nunca teve direito sequer a uma resposta. É evidente que as propostas em sede de Programa Polis para Ovar são diminutas e colocam Ovar no segundo ( ou terceiro) plano de desenvolvimento regional no que diz respeito a turismo e património náutico. Como exemplo gritante, refiro que o projecto de requalificação do Cais da Ribeira não contempla a recuperação do cais na sua totalidade, apenas metade...
Será que ao incluirmos a Barrinha de Esmoriz no Programa Polis, perdemos mais uma vez a oportunidade de recuperarmos de modo estruturante a Ria de Ovar? Ou foram as vistas curtas da burocracia autárquica e a ausência de um quadro de desenvolvimento estratégico para a Ria de Ovar que determinaram a pequenez e o curto alcance  das acções Polis?
Para ponderação.
Espero que na nova postura ideológica decorrente da mudança de Governo as contribuições dos cidadãos fora das estruturas partidárias, sejam defenitivamente alvo de ponderação séria e desprovida de preconceitos. Porque a liberdade ainda encontra difilculdades ao passar por aqui...



Vougas e Sharpis 12 , regata troféu "Velas da Ria", organizada Pelo Sharpie Club, pela APCV, pelo CVCN, com o alto patrocínio da CIRA- Comunidade Intermunidipal da Ria de Aveiro.  24 e 25 de Junho de 2011.

23/03/11

Parou a chuva. E de facto andamos todos distraídos com a involução

( foto: ricardo costa)

Breve ilusão a de uma claridade limpa, a estabilidade revolucionária que nos ofusca, sempre a estabilidade pois já não fabricamos adrenalina com tanta frequência, e as leituras também já não são as mais frequentes fontes de pensamento. Sou um revolucionário acomodado ao fracasso da revolução colectiva. Por vocação de revolucionário brando, aderi à revolução segura, de escala limitada, alicerçada no retorno dos barcos de madeira, dos grandes e pequenos veleiros, oriundos de Utopia,  em companhas colectivas organizadas em pequenos mundos, como nas aldeias comunitárias, onde é possível de manhã fazer a revolução, de tarde consolidar a terra e á noite descansar, confecionando uma refeição para uns 30 ou 40 revolucionáios, não mais. Eis o limite mínimo alcançado para uma célula revolucionária que talvez tenha conseguido implantar.

Isto se não soarem mais uma vez as trompas do Restelo, agremiando velhos e destruidores de sonhos, racionalizando o devir até á exaustão dos inúmeros sacrifícios, como na inquisição mais profunda. 

(foto:Lino Cabral)

24/02/11

música e dança


Sobre esta areia, que já não existe, podemos fazer um filme, projectar uma casa, fundar um clube de columbófilos e até participar nas corridas de fundo.
O que não podemos é ignorar as pedras que em carrinhos e camionetas  se deslocam das montanhas até à beira mar, em jeito de brincadeiras de infância. Portanto se compreende o fascínio com que as observamos a serem entregues, como dádivas, aos Atlantes que com elas brincam e as escondem fundo, nas areias do Furadouro.

09/02/11

A suspensão das águas

Acidade romântica é uma cidade em trânsito, suspensa por um fio de água , tal como a água daquela longínqua experiência da física, em que o líquido de um copo invertido fica retido por uma folha de papel...

A cidade romântica, que poderia ser a minha, é esta cidade improvável, onde a poesia brota das fontes com nomes de escritores e de lugres improváveis, como improvável é a água que fica retida por um pedaço de papel num copo invertido...

A cidade româtica surge numa improvável banda desenhada fantástica, em tons de ocre e verde escuro, sob o céu azul de verão tardio, quando o amor se faz tarde e arde a luz inquieta do prazer que tarda.

A cidade romântica é uma cidade em trânsito, onde os poetas escrevem em azulejos roxos o poema fugaz das estações em branco, em busca dos jardins suspensos da adolescência, o papel em branco que sustém a água do corpo improvável...

que não se rompe nem cai...




a água suspensa.

16/01/11

A dualidade do Sal


Na Ribeira de Ovar (foto:tozé folha)


Cloreto Sólido, líquido Sal
 subindo a Ria, alimento profundo,
de proa a pôpa
de vante à ré
ao Sol e ao vento,
sob
Mar i Céu

h.

13/01/11

Prólogo


(foto: H. Ventura)
o mar enrola, a areia espera
a água brota, o amor enlaça
o vento sopra, a luz treme,
guardo o momento.


h.


Ultramar

.

10/01/11

Ruborisação das águas


foto via "nerviosismo.net"

 
"Muito chão que deu uvas", disse Trebitério Troucha do alto do seu trampolim. Dali, observava as canelas de D. Gertrudes que vegetava numa horta periférica, mesmo junto à saída para Massamá.
D. Gertudes, segundo Trebitério, já conquistara a baixa Pombalina só de vender beijos, sob as arcadas do Terreiro do Paço. Hoje na sua horta de Massamá lembrava a chegada dos navios da frota da Nato, chegados de exercícios fulgurantes no AtLântico Sul.
Melhor, só o regresso dos Bacalhoeiros vindos da Faina Maior.
Portugal encontra assim a sua verdadeira vocação: o Mar, os supertubos de Peniche, ondas de paixão.

21/11/10

Velejar todas as horas

Tozé Folha

Velejo no dia escuro tomando o leme como quem segura o ramo de uma acácia florida. Em Novembro vês as nuvens que avançam chuvosas mas não vês o sulco fugaz da quilha sob a água. Ali,  é mais a intuição que nos lembra o imprevível momento, o virar de bordo. 

09/11/10

A Imensa Legião e a Grande Armada ou a explicação dos peixes









A dualidade na política é assim demonstrada:
Por um lado, a imensa Legião Socrática, bebendo os seus desígnios na Grécia mais profunda, confins da história depois dos Persas, enveredando pela via moderna com a chegada dos valores ocidentalizantes, e por outro lado,  a Grande Armada, que assenta a sua génese na peleja guerrilheira do Norte, primeiro contra os romanos, entre florestas boreais e a navegação para o Sul, invasões de Drakars rios acima. O Douro, o Tejo e o Arade que o digam.
E Portugal é assim explicado, mais uma vez:
A confluência das congeminências variadas que à lusa terra aportaram resultou numa síntese notável de loucura, temperada por um clima ameno, nem demasiado quente nem demasiado frio.
Esta Lusa Terra de Ocidente perde-se portanto nas pelejas do devir, nesta batalha que nos coloca de um lado os Socráticos,  a grande legião, do outro lado a nova e fresca Armada, de Pierre-Pas-le Lapin.
Temos ainda outras tribos guerreiras, mais ou menos perdidas  nos meandros e afluentes de uma rede hidrográfica confusa que não nos levará ao grande rio da abundância, pois que seus protagonistas insistem em remar rio acima, caso de Jerónimo "Remember-the-Alamo" , Paulo "the Doors" e Francis "Ardôsia"  Devemos também referir a viciação das cartas democráticas, pois ignoramos os Abstencionistas, uma espécie irreverente e difícil que não consta nas cartografias antigas, que se recusam a votar, a participar no jogo onde se inserem. Deste modo os pequenos legionário nunca chegarão ao poder...
Mas, o que nos acontece neste preciso momento, é que a energização das forças Lusas não podem mais com as grandes erupções da Crista Atlântica, entre os USA e a Europa,  desde a Islândia até à Grécia, pois as apostas nas energias solares, ondulares e eólicas, esquecem a  condicionante essêncial; os senhores do Olímpo, a grande força virtual da mítica moeda única, os raios de Zeus estampados nos gráficos da dívida, que nos obriga a apertar o cinto.
Insistem pois os Deuses, por divertimento, nessa velha teoria de Sinbad o Marinheiro, a força oculta que se liberta e nos tornará fortes puxando o cinto,  assunto que nos ilude sempre, século após século, desde D. Sebastião e que nos leva ao desastre, pois no momento mágico do puxar do cinto, este vira instrumento de tortura lembrando a nossa condição de infantis.

A prova disto é a recente peleja em redor do grande ORÇAMENTO em que ambas as partes enviaram os seus magos mais brancos . Por um lado Holly-Teixeira e do outro Eduard the Frog. Mas, como em todos os jogos, eis que do lado dos Socráticos Legionários surge a arma secreta, George, "le Chien", disfarçado de escriba, e que morde a nuca de Pierre-Pas "Le lapin".
Pierre-Pas-"Le Lapin" caiu na armadilha e apesar dos pequenos lances e investidas vitoriosas ninguém sabe quem ganhou ou perdeu pois acabaram todos a falar de leite com chocolate e a tirarem fotos com o telemóvel. Grande jogada a de George "le Chien" .

Entretanto lá no alto, a armada do Gama sobre o ìndico , sempre em busca das riquezas do Oriente encontra finalmente o estreito de Malaca, o caminho para a China. É a hora do grande Dragão Chinês.

31/10/10

Joana

Afirmação
contexto
igualdade
constrangimento
subida
ponto de vista












(foto:Lino Cabral)


Subtileza
integração
descida
contenção
ponto de fuga

.

22/10/10

A Erudição Costeira ou as Novas Oportunidades.


Anuncia-se uma viagem de estudo à Reserva Natural das dunas de S. Jacinto.
Aí, entre os tufos de vegetação dunar e odores a maresia, falar-se-à do desaparecimento das praias, do aquecimento global, da aprovação do orçamento, da influência dos raios gama no crescimento das margaridas e da teoria da deriva dos continentes, enquanto se observam bandos de aves em arribação, rumo ao Sul.
O tempo é dos ambientalistas.
Mas...

Vem isto a propósito das intervenções Polis Litoral da Ria de Aveiro.
Pelos primeiros sintomas da metodologia adoptada pode-se verificar que a requalificação de pontos nevrálgicos para a revitalização territorial, ou regeneração, ou requalificação, ( palavras todas com RE, que implicam a recuperação de uma ideia de território subjacente ás próprias intervenções, alicerçada na dinâmica do passado, (a recuperação dos cais...)  transportando por isso uma carga nostálgica de paraíso perdido, o que é sustentado por um sentimento colectivo, veja-se a questão das maravilhas de Portugal que já o eram...).
A requalificação territorial que se adivinha, dizia eu, aponta caminhos de evasão a um investimento que será em vão por isso mesmo. Pelo que se conhece das propostas vencedoras aos concursos lançados até agora , umas migalhas de euros para tão vasto território.
Desde logo se verifica no caso de Ovar, Praia do Areínho e Cais da Ribeira-pista ciclável da foz do Cáster, os locais com projectos em curso, que as verbas disponíveis para aqueles projectos são muito escassas, ridículas mesmo, se atendermos ao potencial dos locais referidos, e à estratégia de recuperação das estruturas do passado, atitude deveras polémica pois o presente e o futuro necessitariam de muito mais e melhor.
Aqui nota-se evidente uma fraca identificação e inexistente potenciação das características do sítio por parte da CMO, isto apesar de avisadas as instâncias autárquicas da possibilidade de criação de estruturas de apoio ás actividades que sobre a ria se colocam como criadoras de riqueza, com as actividades náuticas e o turismo como territórios a explorar e a viabilizar. Tal facto torna-se evidente se analizarmos as propostas ganhadoras, balizadas por um tecto de investimento que apenas permite ao nível projectual limpar o terreno de folhas secas e inventar uns passadiços de madeira, poucos, uns equipamentos de troncos de madeira, a lembrar as casas da pradaria americana dos filmers tipo Bonanza, culminando no remate do grande e simbólico cais da Ribeira de Ovar com umas instalações sanitárias pré-fabricadas, ignorando por completo a cultura do sítio, a atracação no cais, a crescente amplitude de marés.
É o Pólis-Ria que teremos ou ainda se irá a tempo de encontar meios de colocar no mapa estratégico da Ria de Aveiro a Ria de Ovar?
Entretanto e apesar do encanto das paisagens e do imaginário dunar, cada vez mais reservado a artistas de photoshop em riste e camuflagem encantatória nas propostas a concurso, pensemos na navegabilidade perdida, e nas viagens e passeios até à "Praia do Areínho", regressando pelas imponentes dunas da beira mar, ao sul do Furadouro.
Mais um "paraíso perdido" ?